domingo, 4 de dezembro de 2011

“O fracasso me subiu à cabeça.”



O   P A T I N H O   F E I O.
 (Depoimento de um ex-independente químico,  (en)rolou química!) “Olá, meu nome não é pelo que vocês chamarão quando ouvi-lo. E minha imagem aparecerá em mosaicos nos canais de interferência (ou) com ausência de sinal. Ao prazo de domingo, essa cadeira estará à disposição da desintoxicação de um cú químico, se até lá suas cápsulas de Cocaína não estourarem antes de completar nove meses. Não, não! Sentem-se até que eu termine! Ou recusará o pedido de ninguém, quem? (RISOS.) Minha clientela está desperdiçando meu salário em prol de encurtar o avanço da AIDS, e meu último grafite foi apanhado pelo também preliminar freguês camuflado, de farda camuflada. Eu aplaudi cada resquício de porra que vocês engoliram para parir suas drogas, e a acusação vã da culpa ser delas. Mas deixe-me explicá-los de que ‘drogas’, meus irmãos, é apenas um apelido irônico para que a Vida não apreenda a nossa, cuja vocês aprenderam em palestra de como encurtar com fita métrica, embora saibam hoje menos a diferença entre intestino e ventre. Ora, não é portanto pedir mais do que já estão domesticados a exercer despidos que sejam, então, o testamento de discurso pelo banheiro público, sem gorgolejar a descarga por cada intervalo de abstinência pulmonar que venha eu; a ter. É que estou doente. Muito, muito doente. Eu estou com medo de por um dia ser sortudo quando a sorte por si só seria azar. Eu estou com medo da dose pouca, da hemorragia estancada, do sobrado de grana, da aprovação desaprovada. Eu estou com medo de errar no erro decisivo, do bom dia correspondido, das sirenes fracassarem. Eu estou com medo da bondade pecar ao me salvar. Eu estou com medo é de Deus me perdoar. De segunda tornar o respirar de alívio, suspiros. Eu sinto ódio do oxigênio por propor ‘se’ e ‘tal’ para o acidente ser proposital.  E eu doei por mais da conta sangue, no banco preventivo do impulso pela intervenção do seu pulso: e posso garantir que ele está congestionado tanto quanto minhas veias e septo. (RISOS.) Que dê tudo bem, meus irmãos filhos da puta, tal qual ‘iniciante’ virgindade ter. Mas, enquanto tivermos a Heroína heroína para enfim, as ruínas arruinar, drogas em ‘droga’ jamais dará. (RISOS & APLAUSOS.)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Responda ao enigma assim que puder ao soar de Notre-Dame: “Quem é o monstro e o homem quem é?”

Dobram os sinos, Paris despertou ao soar de Notre-Dame.
Já tem peixe fresco, o pão já assou ao soar de Notre-Dame.
Sinos grandes com sons trovejantes, e pequenos com sons de oração. Paris, são divinos os sons de seus sinos! Os sons... Os sons de Notre-Dame.
— Ouçam! São lindos, não?
São tantos sons coloridos, tantas mudanças de timbre! Porque vocês sabem, eles não tocam sozinhos.
— Ah, não?
— Não, bobinho. Lá em cima, lá, lá no alto no campanário vive o sineiro misterioso.
— Quem é essa criatura?
— Quem é?
— O que é ele?
— O quê?
— Como ele foi parar lá?
— Como?
— Quieto! Clopin vai lhes contar. É uma história... A história de um homem e um monstro.
Tudo começa na escuridão sob o cais em Notre-Dame.
— Faça ele se calar! Vão nos descobrir!
— Quieto, meu amor.
Quatro ciganos em forte tensão sob o cais em Notre-Dame.
— Paguem e entrarão à salvo em Paris.
Mas alguém emboscou os ciganos, que tremeram ao ver esse alguém; cuja alma é dura qual bronze que apura os sons...
— Juiz Cláudio Frollo!
Os sons de Notre Dame...
Frollo, o juiz, mandou varrer o mal dali.
Ele viu pecado em cada ser, exceto em si.
— Levem essa gentalha cigana para o Palácio de Justiça.
— Você! O que esconde?
— Coisas roubadas, sem dúvida.
— Tirem dela.
Ela fugiu.
— Santuário! Por favor, dêem asilo!
— Um bebê?
— Ahh, um monstro!
— Pare! 
Gritou o arcediago.
— É uma alma profana. Vou mandá-la de volta ao lnferno, que é o seu lugar.
— Sangue inocente você derramou nos degraus de Notre-Dame.
— Ela fugiu. Fui atrás. Não sou culpado.
— Das mãos da mãe a criança tomou nos degraus de Notre-Dame.
— Tenho a consciência limpa.
— Você pode até iludir-se, que não vai ter remorso amanhã. Mas não vai conseguir desviar nem fugir desse olhar... Profundo olhar de Notre-Dame...
Apesar de Frollo ter nas mãos poder total, tal visão o fez tremer aos pés da catedral.
— E o que eu faço?
— Cuide da criança e crie como se fosse sua.
— O quê? Eu devo cuidar deste traste? Está bem, mas que ele more com você na sua igreja.
— Morar aqui? Onde?
— Qualquer lugar. Que ele fique num lugar bem afastado assim... No campanário talvez, e quem sabe Deus escreve certo por linhas tortas. E talvez tal criatura possa um dia, enfim, servir a mim.
E Frollo deu um nome cruel à criança, um nome que significa “meio-formado”: QUASÍMODO.
Responda ao enigma assim que puder ao soar de Notre-Dame: “Quem é o monstro e o homem quem é?”
Dizem os sons, sons, sons, sons, sons, sons, sons, sons, sons de Notre-Dame...


O mal acabado; não acabou.
“Quem sabe saibam agora vocês o por que do monstro gostar do escuro, puxando a barra do vestido da mamãe adotiva, pelo seu logo “amém”. Quase desconfiem vocês do por que de cada terço de oração da oração vir a ser tão fácil de decorar, quando suas horas sãos são, aliada da ameaça da mamãe acionar o interceptor da luz. Foi ela. Mamãe deu à luz ao ter-nos, a quem do escuro a vaidade convém, precedente do “amém”. É preciso ser um monstro para gerar um amigo imaginário. Sua piedade do aleijão é o que te faz sentir-se melhor, como embaixo da cama ao bater da porta e riscar do assoalho, é você quem lhe faz. E só ali, o quase não escapa de si; venha brincar.”



Porque vocês sabem, eles não tocam sozinhos.
...
Quasímodo. Formado de meios. O homem e o monstro. A acentuação nas costas do “e”; O HOMEM É O MONSTRO.

domingo, 16 de outubro de 2011

Os anjos são os primeiros a falhar.



Ah, lê quantos desastres há em minha mão?
 Vai passar, meu grande amor. O trigo logo, logo, será massinha de pãezinhos no vão de seus dedos de andorinha, que como bem sei, não suportarão até que fiquem prontos no forno para queimar a língua, e assim saboreá-los tanto quanto trigo cru ao céu da boca o clamaria de realeza. Vai passar, meu grande amor. Logo, logo, os canários migraram para o sul, os agasalhos para seu corpo, seu corpo para os armários, os armários para além da realidade, e então eu para junto de ti. Vai passar, meu grande amor. Logo, logo, o inverno será primavera, a esperança acordará bocejante para re-pendurar os terços nas cabeceiras, e suas jubilosas placas receptivas nas portas dos fundos. Vai passar, meu grande amor. O sofá descansará as noites, e os relógios de pulso não completarão seus 360º.  Anúncios serão apenas procura-se por mãos-de-obra, e você vai me encontrar. Vai passar, meu grande amor. Não mais precisarás pintar minhas unhas para conter ao que arranha-me no avesso, quando espelhos não temerão refletir; graças as nossas pálpebras (tirai os prendedores do nariz!) leiloadas aos santos, por caridade da esperança que esgota nossos bolsos. E já devemos tanto para aquele olhar de divindade, que uma cruz ao nosso nome é o que nos resta deixar nas gavetas de paletó; da caixinha em sempre dificuldades melhores que as nossas muitas. Seremos então humildes, mas justos não. Justiça é pecado! Na guerra, quem enche as taças de vinho até a margem, são os ternos. E ainda não sabemos se temos pais, apenas país. Vai passar, meu grande amor. O sino da igreja não mais será o hino da nação, gravatas apenas serão o luto, o nosso Mein Kampf , e o açougue não mais distribuirá nós em fatias aos porcos. (HUMANO ADULTO: 35 litros de água, 20kg de carboidratos, 4 litros de amônia, 7,5kg de cálcio... 800gr de adenosina, 250gr de sal, 100gr de nitrogênio. Verifique a validade. Por favor, guardar o recibo da garantia. Ao consumir o produto, não aceitamos devoluções, tampouco por favor, por favor.) Vai passar, meu grande amor. Crianças não precisarão andar de mãos dadas com a mamãe para recordarem-se de suas varandas, e nós poderemos andar de mãos dadas. O ronco de aviões serão vozes de garotinhos emprestadas às suas pipas. Os cupins finalmente deixarão nossa árvore familiar. Fogos serão por comemorações. As pontas de nossos dedos voltaram, e a ser vermelhas, e céu ao seu azul. O seu azul. De água doce. De oxigenação do seu; de todo céu que é céu seu. Palavras difíceis de notícias pesarosamente difíceis serão banidas, e logo, será fácil rememorar as letras de nossas músicas prediletas, também de quase acreditar em mim. Lembre-se de me convencer, assim que conseguir.

 Passará, meu grande amor. Como o nosso verbo no futuro. Como o nosso passará, passou. Passou, como o vagão do trem. A luz no fim do túnel, do trilho, que imploramos que passasse: que passasse por cima de nós.
 Passou. 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A Psicografia & O Psicógrafo.



Meu querido,

 Eu venho tendo posse da nossa eternidade prometida, e logo digo que sou menos imortal por isso. Por onde andas, meu amado? O meu Sol nascerá no Oeste? ‘Tão boas notícias suas são, já que minhas nunca chegam? Até mesmo quando dúvidas parecem não ter fim, se terminam em pontos tortos. Ou seriam barrigudos? Ou lamparinas de idéias? Veja só, e o quanto não vejo! Tenho tempo de sobra para imaginar como bem prefiro minha dor! Embora isto nunca a faça faltar... Caracterizei-me de ocasião especial, até que os horizontes batam enfim, a porta amanhecida aberta. (A campainha de modo algum traz companhia, mas as levam.) À espera de ti, enfeito-me dentro de estréias do meu eu seu predileto. Do meu melhor nos armários, que começaram a se tornar sufocantes. E você acreditaria se eu lhe cochichasse que, da janela, o nosso abençoado carteiro me confunde com quadros de outros séculos, enquanto eu descubro das cortinas que um mês a cada dois, ele enseba os cabelos de gel para ser fotografia? Ele possui um nome, e não sai de cena como que achávamos após descer nossa estradinha de terra e deixar-lhe salvo em varanda, carimbado de cera, selos e envelopes-creme, para ouvir-se em meu tom e inovar-me de velhas preces. O carteiro faz bico em cada história, mas a sua é tão “de: eles” “para: outros”...
 É que tive a indiferença dos ponteiros para apontar-me que quando você é um entregador de cartas, nenhuma se pode abrir. E que, quando você tem muito tempo para viver, meu bem, acaba sendo um fantasma a assombrar a graça do pouco de alguém. Tu me prometeras o Sol praiano, o sal dos sete oceanos; mas em nosso mundo seguro das guerras, protegida nele por sete chaves e de ti, vislumbro-me em uma gaveta a sete palmos de carta alguma alcançar, sem que desmanche-se nas lágrimas do mar. Sua pequenina pérola, tu protegeste da proteção. E o espaço que ficaste entre estratégias e planos, o vazio dela pontuou, corrigiu. E mesmo em nossa sobrevivente linha pontilhada, feita a giz, “Sim, Senhor!” ainda quer dizer para nós, que o ímpar “sobreviver” não diz “sobre viver”.

De sua amada, para o todo pouco do sempre.

“Estranho, prazer em conhecê-lo.” “O prazer é todo meu.”

Quanto mais o sótão de você conhece, mais de estranho se parece.
Eu deveria ter levado a porra d’uma lanterna.
Eu não deveria ter levado uma lanterna.

Sanatório St. Andrews. Palavra legal, não? Sanatório. Nada parecido com a realidade daquela pocilga. Fui vê-lo antes que o demolissem no fim dos anos 70. Ainda fedia a mijo e desinfetante de pinho. Corredores compridos e mal iluminados com quartos pequenos, parecidos com celas, nas laterais. Se você estivesse procurando o inferno e encontrasse St. Andrews, não ficaria decepcionado.”

 O estranho observa ao longe as boas meninas pularem corda, – lambuzadas de batom barato da mamãe –, “doze, treze, quatorze... Três, dois, um... Sua vez”, quiçá por descoberta da cor de suas calcinhas... Sabe-se lá que como jornal e suas notícias ruins, ele inspirava-se de “ABC”. Ele está lá no desvio cinzento, com seus olhos tirados, sapatos engraxados e sua barbicha falha, de rapaz que pede a garçonete de aperitivo, por bel-prazer d’um dito filho da puta, ser. O estranho não tem pressa: em sirenes ou faróis vermelhos, ele abre o zíper da calça para pagar as dívidas da mamãe. Para-amamentar-a-mamãe. Mas não, não, o estranho não é de fato, estranho. De modo algum tenho pressa por fechar feridas em apenas lâminas do narrativo; como você e vós, não “tendes” morrer. Tendes. (Essa é boa.) “Tem-de” aquelas risadinhas num emaranhado virginal, Pisca-Pisca e seus fantasmas vários, – de já muitos dezembros partidos –, voltarem enfim, a mim. E ninguém os disse para onde vão dar. Mamãe preservou-os dos papéis de parede que descascam, já que o preço das gozadas do papai na puta que pariu interfere no tamanho de seus presentes. Mas a mamãe é uma boa mulher; o Bicho Papão não tem do que reclamar, – é só a merda do chá que é deixado esfriar. Mamãe cruza as pernas e engole suas palavras, como se engolisse a porra dos gostos mais refinados, – ao qual o papai só lambe os dedos quando ternos ocupando as cadeiras estão, mas não olhando. Mamãe se convence de tudo, até mesmo de que o Papai Noel passa pela chaminé, mas que o papai não passou pela porta dos fundos. Mamães fodem como menininhas, quietinhas e assustadas. Mas os grunhidos não são delas não, que tamanha calúnia! É o sótão. É o rato! O rato malvado, que rói os cordões pela sua – e minha – infância romper: mas não interrompe as muitas cordas a vir de todos, saltarem.

“Eu o estrangulei com sua gravata. Saiu espuma de sua boca, e ele ficou azul feito lagosta crua.”

“O legista disse que fora suicídio, e 75 meninos respiraram aliviados.”

O estranho observa ao longe as boas meninas pularem corda, “doze, treze, quatorze... Três, dois, um... Sua vez”, quiçá à descoberta da cor de suas calcinhas... O estranho que hora ou outra, abre o zíper da calça.
Tudo, tudo, minha cara, acaba empacotando nos sótãos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

"O que está escrito em Braille sobre minha pele."





CUIDADO, CONTEÚDO FRÁGIL

 Você pode perceber; pela brecha da porta que se debate a ter de ficarmos a sós, e pelos cacos cá e ali pós-crise no piso encerado, e as muitas sondas rompidas – e eu prossigo com o romper de todas –, e as seringas a violentar meu pulso já de partida, e os arranhares no meu quadril, e as bolhas nos meus lábios; que definitivamente, eu não sou a garota mais confiável para se deixar objetos cortantes ao alcance, e que bem, a morte é pra lá de seus atrasos quando se marca hora, e a vida é virtude apenas de seus queridinhos. Oh, e às vezes venho a parecer que estou tremendo, – mas meu caro, é só a febre –. E parece que estou sonâmbula, – mas é apenas o ópio vindo a certificar-se do ronco do doutor. Se estivesse mais frio eu poderia derreter. Se eu fosse uma uva-passa eu agiria de acordo com a minha idade. Se eu fosse de bem, (ainda assim), eu não acho que você acreditaria em mim, não-é-o-jeito-que-eu-deveria-ser; é só o jeito que a operação tem me resolvido.

 Você pode perceber; pelo estado do meu quarto, – e do meu quadro –, que eles me liberaram muito, muito cedo. E os remédios que consumi, vieram alguns anos tarde demais. E eu tenho algumas questões a tratar... Como traçar-me de ti, fazendo de faz-de-conta que, possuo uma alma para além dessa superfície turva. Possuída. Então meça-me a profundidade por si só, com um par de pés, e estarei logo a te convencer do quanto isso foi; acidentalmente de propósito.


A ALEGRIA JÁ NÃO MAIS TEM ENDEREÇO
ME TRANCAM NA GAIOLA, E ESPERAM QUE EU CANTE COMO ANTES

 E não é sempre do eufemismo lidar com meu eu prosaico; esse lirismo é só um pensativo à parte, um plágio re-editado, assomado de porra alguma a apurar o nosso orgasmo. Mas eu posso abrir as pernas do seu século para me caber, – apenas em só uma rarefeita ocasião. Já que, fui retirada antes da dor do parto calcificar meus ossos...

 Você pode perceber; pela vermelhidão nos meus olhos, e os hematomas nas minhas coxas, e os nós no meu cabelo, e o ralo ineficiente, e pela banheira cheia de moscas, que eu não estou certa de forma alguma. E lá vou eu de novo, simulando que vou cair... Não chame os médicos! Essa cena é mais um improviso de ensaios. Já já num coro eles vão te coadjuvar: "Apenas-a-deixe-se-espatifar-e-arrematar-seus-votos-matrimoniais-com-a-maca. A atenção só a encoraja..."

 Você pode perceber; pelo gesso envolto no embalsamar da minha carne dormente, que eu lamento por ter perguntado... E ainda que mais; posso ser contagiosa, portanto não toque! Você vai começar a acreditar que é imune à gravidade e tantos desses vários... E não me molhe! Ou senão os curativos vão se desprender.

DESCANSE EM PAZ
JAMAIS SERÁ ESQU

 E você pode perceber; pelo féretro de mobília, que o meu estado atual é crítico. E no tempo que leva para o ‘bip, bip bip’ ser interrompido, posso inventar-te quantas desculpas convir seu descuido, como: "Por favor, perdoe-me pelo não-me-lembro-o quê. É só o efeito dos medicamentos a me cometer." E eu não necessariamente acredito que exista cura de mim própria... Então eu posso entrar pro seu século, – mas apenas como uma hóspede terminal. E no fim, sou apenas um bocado imoral; eu fui precariamente removida numa cesárea! Então doe-me lágrimas a envernizar meus olhos, para que talvez assim, eu enxergue a vida à seu modo.




Baseado na composição Girl Anachronism, de Dresden Dolls.  

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Espelhos Não Mentem, Pt. 2



Endereço: “Siga os tijolos amarelos.”

Carta nº 2. 04h3min. Não lembro-me. AM.
1 de dezembro. 1982. 0ºC.


Caro doutor,


 Me vem a impressão de muita carta ter se perdido, partido, chegado, chegado cedo, cedo demais. Tenho a impressão que muitos olhos se demoraram a desgarrar-se delas, talvez por não se ter entendido, talvez por não se querer entender, ou, talvez, por esses olhos serem condenados; olhos de cartas... Tenho a impressão de muitos ex-pacientes, e muitas sopas de pepino ainda sendo preparadas. Tenho a impressão de muitas impressões mal feitas, e muitos exames refeitos. Tenho a impressão de padeiros comprando pães e psicólogas fazendo psicanálise e pacientes de estetoscópio. Tenho a impressão de macas contarem minhas costelas e outras contarem as horas para a hora de contá-las. Tenho a impressão de óculos de grau contando vantagens, e de máquinas de costura terem confundido minhas costas com alguma encomenda, pela baixa auto-estima de todas as máquinas. Mas, tenho, sobretudo, a impressão de não ter algodões em meu nariz e talco em minhas marcas. E quanto às rosas artificiais? Em minhas mãos só torcem canetinhas hidrocor, que fahalm tant0 qunto minha cooordnaçõ6. Meu nome deveria jazer na calçada da fama de algum memorial-de-ninguém-conservado, com uma de minhas mais enrugadas fotografias engatinháveis, para que me reconheçam só quando irreconhecível! Morrer me era planejamento de vida, doutor... Dos mortos nenhum vivo guarda mágoas... Por que da morte não me perdoar, então? O que houve de errado enquanto a anestesia me embalava? O que mais houve de errado? O que mais houve de errado para mais um erro se deixar pra ser ouvido depois? Foi o pêssego que aprendeu a delinear os lábios por si só por dicas de revistas que pregam “vaidade ser felicidade”? (Peça-a para me fazer uma visita, um dia desses. Mas que seja antes dos analgésicos e antes das moscas. E que, se possível, fique para outro dia...) Ou foi sua esposa que esqueceu o número do seu cartão de crédito, e assim engraxou o sapato do jardineiro? Ele não checou as moedas após ela dar as costas com as costas das mãos? Dê-me os diagnósticos do mundo: O que houve de errado? O senhor fez aulas de caligrafia, ou alguém as fez para compreender a sua? Levantou finalmente os olhos do paletó, numa consulta de pacientes estranhamente amarelados? Ou acertou inconvenientemente uma operação? Diga-me, por favor, o que mais poderia dar errado, doutor? Quando os espelhos, agora, me mentem...




Respeitosamente,


Seu paciente... 
Integral. 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Espelhos Não Mentem, Pt. 1



Endereço: “Siga os tijolos amarelos.”

Carta nº 1. 04h51min. Dom. AM.
31 de outubro. 1982. 6ºC.

Caro doutor,


 Trago-te notícias ruins, notícias boas. E há rumores de sou, e de que elas se espalham rápido, como aquarela chorosa, que nem sempre escorre obediente, ou como os inchaços, que jamais são desobedientes em ser desobediente. Trago-te notícias que carteiro algum gostaria de entregar e o mais curioso espiar. Mas o fazem todo o tempo. E não mude a decoração do balcão de recepção por ela apenas, também, ceder ao cheiro de dinheiro. (E quem alegará, que não é mesmo contagiante, doutor? Você pegou minha causa como uma prostituta abre as pernas para qualquer aidético de gel no cabelo. E agora, já temos algo em comum.) Sabe, eu detesto surpresas, inclusive quando a surpresa não é de forma alguma surpresa. E será uma surpresa sem ser de forma alguma surpresa, caso aquele batom pêssego mal contornado seja substituído por um sorriso bem disposto, como o sorriso de plástico embalado de uma madame recém-divorciada. E talvez você, embora tenha decorado tantos livros tediosos, ainda não saiba que o jardineiro que apara suas rosas, sabe que nenhuma flor na cômoda resistirá à feiúra do mundo; mesmo que ela não murche, a saber, que seu jaleco fica no cabide em sua residência, se desmemoriará tarde que não há exceção para com seus piores pacientes não descansarem em seu travesseiro, quando sua mulher exausta de exercitar-se por entre lojas e lojas de cosméticos, recusar-se a derramar os fundos daquelas butiques, que o senhor lambe, como se fosse valer o preço do produto, enquanto o piso lustroso do hospital desde sempre é bem mais vivo do que a madeira envernizada da sua humilde mansão. Portanto, doutor, eu espero que essa carta seja como um dos narcóticos da dor, que ainda não deram o passe para a receita (e bem que o senhor poderia reconsiderar, acelerando o caso, ou pormenor, parar aquela acusação de assinatura forjada que eu juro, pela minha saúde, não a ter cometido), para nós. E mesmo sendo esta uma carta fugitiva ou uma sobrevivente (que eu bem gostaria de sê-la) do seu hospital cinco-estrelas, ela consegue arrancar um suspiro invejável de alívio seu, um suspiro quase tão cético quanto o seu convencimento de milagres, (embora tenha me confiando a eles), por não ser carimbada de marcas cinco-estrelas, que a sua cinco-estrelas se mantém cinco-estrelas e também, elas. E eu, ah, eu estou urgentemente precisando de uma psicanálise com a imunidade alta e, talvez, caso a TV não esteja reportando canais sensacionalistas por vez da voz em sua cabeça, você já o tenha notado. Ou talvez eu só precise de uma operação mal sucedida. Ninguém discordará de seu sucesso.



Respeitosamente,

Seu paciente em plantão integral. 

sábado, 20 de agosto de 2011

"De qualquer forma, ela não lerá..."

Caça Palavras

 Penso. Penso que talvez, Eu pense, e por isso tenha se mandado para o outro. E não posso competir com ele. Não... Eu o invejo. E me disseram que isso é tão feio. Procuro em liquidação sorrisos de pele. Pele da cor. Cores que não desbotam nas banheiras, e banheiras que não desbotam pulmões. Ele se lembra de tudo, e do futuro nem sonha que não o lembrará. Ah, e ele sonha... Ele tem pesadelos e acorda e se levanta, quase sem ânimo. Quase. Ele não esconde farmácias no fundo das gavetas. E ele encara mais os tetos do que as estrelas. Ele espera os créditos no final das cessões. E ele não é induzido a existir. Ele faz a barba, com muitas, muitas falhas. (Mas muitas não são todas!) E a lâmina é somente uma lâmina. E ele fuma, mas está prometendo parar por ela. (E torce para que esqueça e a esqueça.) Está apaixonado pela sua psicanálise. Não, pela sua ética. Não, não, ele está apaixonado pelo seu psicológico incurado, que o terminou, mas não o terminaram.

[...] Anos pálidos, balançando a cabeça, ela, sim, ela lhe contata, quase que com colírio nos olhos: "Não há nada que eu possa fazer mais pela sua causa". E como “batata quente, quente, quente” ele vai passando de consultório à clínicas, jasmim à éter, papéis de parede à cimentos, quintas à domingos, outro à ele, outro à queimou, queimou à queimou! Oras, ele é humano! E essa foi a deixa para deixar de ser. Mas é barato... É barato que o barato no passado, é que vale caro para mim lembrá-lo. E Eu sei... Mas não me lembro de muita coisa, também de muito nele. E é por isso que Eu tenha se ido para mim. Não me lembro... Eu não me lembro de como me ser. Mas no outro de outra das mesmas estranhas entranhas, decorei o telefone da última indicação. Ela não me cobrou a promessa.

sábado, 6 de agosto de 2011

"Lamento doutor, mas suas letras na receita, não conseguiram ler-me."



 Esta é, uma carta de suicídio. Mas não precisa ser sua. E escrevê-la, é a mais fácil de todas as minhas mortes, formar palavras, até p’ra um principiante na morte de viver, sabe que é bem fácil desenhá-las, plagiando as do quadro negro, com pressa de anunciar o “Terminei!”, p’ra então sair correndo aos atropelos, e agarrar-se no alívio que a sensação d’um recreio proporciona. O que não é nada simples, é lê-las, (não somente por estarem rasuradas, feitas de cinzeiro ou de teste p’ra descoberta da técnica de tingimento por café). E eu não as lerei. Não as lerei p’ra não (morrer a minha vida) viver a minha morte de novo e de novo, embora eu saiba que não haverá nada de novo. Apenas o nada, de novo. Aqui jaz minha prova, corrija então meu erros, Vida! E me reprove, p’ra que então aprove como o meu desistir é resistência; de morrer por você.


 Estou a decepcionar todos que ficam. Mas não por ir; por tentar ficar. Eu tentei... É poético o suicídio, minha verdade não. A verdade é que se houvesse um “ou”, eu teria aqui, uma carta de suicídio fracassada e uma armação de cordas p’ra desfazer presa ao teto mudo, antes que alguém violentasse a porta e gritasse desnecessariamente. Não seria tarde, como quando você estiver desobedecendo o meu conselho na véspera, a menos que eu o tenha rasurado. E não pretendo deixar outro; o doutor me alertou com doses de comprimidos, receitas e raios-X, mesmo assim eu não desisti, embora você, possa talvez jurar que eu o tenha, e mesmo assim; fui longe demais... Minha vaidade ainda é mais impotente que meu reflexo; minha indolência também. Mas eu tentei não tentar. Decorei auto-ajudas, drogas legalizadas, mesmo quando sendo a pior de todas elas. Prometem o recomeço, mas lhe deixam no prazo da vida d’uma borboleta. Até mesmo deixei um copo cheio pela metade, mas a água evaporou, se arrependendo antes mesmo que eu, dessa expressão, se é que eu a aceitei no acertar... Com as tintas não foi concorrência, partiram na povoação de todas elas (gastei minha economia por Mary Jane e Dalila, pelas cores de seus mundos, a colorir o meu); a solidão do cinza convidou a forca p’ra maquiar o meu rosto em sua aliança. O mais difícil foi atualizar o calendário, mas não mais do que consultar o espelho, e ter a confirmação dele. Parecia mais espantado do que eu. E enquanto procurávamos o eu, o chiado agonizante da TV assistia as tentativas de fracassos serem eficazes, sabendo que o incentivo p’ra os meus frangalhos desde sempre comoveu o sucesso. E sabia que eu me encontraria quando a forca me fizesse mímica (estendo-se como corda apenas a salvar o meu suicídio no resgate):

Novamente; eu mataria a charada.

 A inspiração de qualquer tragédia pegajosa acabou. E agora, é que o agora me intervém: “E agora?” [...] “É agora.” É agora que acabou o verbo no futuro, e até mesmo dum presente, (mas não o agora). É agora que a folha, que até ontem amanhecida era sem graça, acaba-se agora superando em seu diminuto, carimbada num sofrimento ensaiado, sensacionalizado, em memória de alguém que poderia se despedir em adéquo por qualquer insuficiência de página vazia. Memória plagiada de Ninguém. Dor cinza. É agora que o agora dopa-se.  “Tic-tac, tic-tac, tic. Tic. Tac.” [...] Minhas mãos estão enrugadas, como quando uma criança se demora  na banheira. E se debate, por não querer sair, sem sequer desconfiar que ela estará cheia de moscas num presente (presente p’ra qualquer “bip bip bip” fadigado; prejuízo p’ra o comércio de cigarros e entorpecentes), por confiar em si. (E então, não poderia deixá-la mesmo que quisesse. E agora?)  Sobretudo; eu tentei. Me espremi na vida, como as palavras aqui. Infelizmente, não coube o pouquinho do nada em tudo. E estou com pressa de terminar mal, quando eu deveria prostituir palavras p’ra lhe convencer a abrir o zíper da sua adoração; por um bezerro de ouro morto. Isso me cai bem, mas não quando sua oração de mim, não será por me salvar, isso... E nem devesse...  Se deveria parar por aqui, deveria. Mas se parado ainda ficar devendo, rarefaça o esquecido que me já esqueci há muito: A culpa, mesmo azul, posta em paradoxal a arranhões dolosos e cúmplice de um pulo embalado pelo impulso, que torna sem pulso; mesmo tarde, ou tarde demais, ou indiscutivelmente tarde demais, ainda é muito cedo p’ra não mais ser minha.



A solução de vida por quem vegeta, sempre foi não sentir; saudade dela.


[...]


Por baixo, agora ela está alta. Tão alta...

 E o doutor de alta.

sábado, 11 de junho de 2011

“Vai ser só um ‘piquezinho’ de nada.”


"E se eu fosse uma religião de mim,
Então minha catedral certamente sofreria uma cisão."

"pour la santé après moi!"
Eunão me deixes também! Ou, pormenor, não me leves para o pára também! Ou eu não sendo, deveria de passar duas camadas de tinta fresca no meu amado Me, que me não mais condiz? Oh, eu tinha de ter lido a bula d’O Conhecimento antes de medicar-me dele, pareço tão mais do mais que abocanhou-me! Ou de menos do menos de conhecer? [...]

Você pode escrever; mas não pode editar. 
(Será efeito reto, ou é mesmo controverso?) A burrice é tão mais segura de morar; pontos ditam e você tende a se conformar. E a espinha aponta nas costas de tanto reverenciar. Ah, e foi tão rápido, como flecha de cupido em já predestinados! (Ou já arrastados para o amontoado de condenados?) Talvez eu seja prometida para o sábio Saber, mas talvez O Me não me soube caber. (Ou eu deveria não dever? Ou não ter tido o não ter?) Tamanhos são esses campos de equívoco! Nasce tanto de mim... A Genialidade germina, mas é A Loucura que colhe; e é necessário que o céu chore para que eu vigore.
Ponto no Ponto;
O ponto d'O Ponto.


"Não mais do mais do sim."

Esse meu escuro; é um pouco do tudo que já me foi puro.
Essa minha escuridão; é pouco do todo que já me foi clarão.
Esse meu breu; é tudo do pouco que já foi meu.


A incerteza da certeza; começa em cada ponto enfim, o fim.

E o Pleonasmo disse: "De cor estou decorado, e então acharás que estou achado."

Se o inferno, sobretudo, riscasse o "se" de suposição, o "se" por mim em "passo" listado por ele, seria. Seria pegadas de esperança e, uma rasura; a benção. E o seria não seria a benção que jamais abençoou. 
No meu sempre que também atende por nunca, mas que o nunca nunca atendera por sempre, o nunca nunca teve vez pelo aquarela: o inferno, mesmo infernizando; também não. Se eu tivesse os mesmos olhos que os outros, outro apenas eu seria e, desde, poderia apenas não ser – olhos de expectadores sob figurantes apenas analisam quando não mais tem de ver. Se o inferno mendigasse cor, a princípio, eu teria concorrência e o arco-íris audiência. Se o inferno tivesse cor, a meu ver, não seria de calor. Eu não enxergo como os outros, mas sou os olhos para com outros outros! Meu inferno é branco. É branco porque a cor branca é cor de ausência de cor. É branco porque a cor branca é tão cor quanto se diz ser luz. É branco porque é na luz que revela e vela o "quem é". É branco porque é em luz que tudo o que se esconde no escuro de quem procura é escondido da luz. É branco porque o escuro é escondido na luz. É branco: Porque é acendendo as luzes que se apaga a luz.   

terça-feira, 31 de maio de 2011

Cavalo de Tróia.


E no fim do verão, até mesmo sorrisos capturados caem amarelados. O outono exige oferenda; para decorar seu chão.

Outono dos céus; do que feito é esse despejo, essa derrama, essa nossa terra branca? Nada vinga; senão diversão. Vence em homens de neve o de que nada serve. Se todos soubessem que essa auréola ergue-se sobre seqüela... Se humanos não fossem todos. Se o "se" não desse plano e o fim fosse engano. Se as palavras não dessem leis e cavalos não esmagassem reis: A espera não esperaria a ingenuidade ninar para violentar. 

sábado, 28 de maio de 2011

O inferno são os outros.


Mamãe, por que me fizeste existência nessa des-existência?
Porque para recordares de que ainda existes, é necessário desexistir como um; no crime do prazer em dois, onde o que atrai é o resultado da paixão ímpar no par por sentir. Sentir:

"Sinto muito por sua dor, meu querido."
Todos eles aprenderam ou aprenderão a reproduzir o lamento, como aprenderam ou aprenderão a reproduzir o ódio; a cadeia na cadeia do inferno.

Curar-te-ei d'A Sanidade.

Aquele que vive de combater um inimigo, tem interesse em o deixar com vida; como o feto ama nascer, como o monstro ama ser, como o ser ama o "será", como o "será" ama a fé, como a fé ama o gênio, como eu amo-me: como o lítio ama a loucura.  (Vitral dos ímpios.)

O eco é apenas um reflexo?
Apenas um reflexo?
Um reflexo.
Reflexo.


Curo-te para curar-me. Curo-te para que machuque-se e machuque. Curo-te, sobretudo, para que A Morte (paz da humanidade) me antecipe.

"Curar-te-ei do seu mal, pois ele é minha cura."
(Em tempo de paz o belicoso ataca a si próprio.)
Quem luta com monstros deve velar para que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares – durante muito tempo –, para um abismo, o abismo também olhará para dentro de ti. (Sozinho a dois.)

 Palhaço Egoísta & Friedrich Nietzsche.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Dividindo a dor de cada dia.

Jesus Of Suburbia;
(From the bible of "none of the above".)
ㅤㅤㅤEnvergonhe-se por minha desvergonha. Minha memória está (está?) como se fosse há séculos de hoje. Acho que a Mary Jane andou leiloando os eufemismos e apologias para pagar os meus pecados. (Não cabem mais embaixo da cama.) Deveria apagá-los apagando-me... Eu não me importo, não me lembro... Eu não me lembro das orações. Ou talvez elas oraram para que eu as esquecesse. Assumirem-me como um filho significa sujar de traição suas escrituras sagradas. Mas não há nada errado comigo. (No tudo que há.) Eu estou conforme os meus mandamentos; Os seus mandamentos julgados aos olhos do espelho.


"Oh, therapy, can you please fill the void?

No one ever died for my sins in hell.
As far as I can tell;
At least the ones I got away with.

Saint Jimmy;
(The product of war and fear that we've been victimized.)
Culpe-me por não ter desculpas. O orgasmo da mamãe é a vida lhe fodendo. Fuja para mim. Eu sou seu oxigênio a base de cocaína e seu gosto de álcool. A cura que adoece suas veias. O refúgio do seu ódio. A dor que tatuou. O filho da puta que a casa inflama. A sua face vingada e amanhã procurada. O último em pé do chão. O ato das suas palavras. Eu sou a anarquia no teu Eu. O câncer em você.



"In a land of make believe.
Who don't believe in me." —


segunda-feira, 4 de abril de 2011

O réu são os humanos. Guilhotina dos ventres!




A Morte: E todos os mortais detestam ter de morrer, mas não me demitem; por se fazer nascer. 



sexta-feira, 1 de abril de 2011

O Menorzinho dos Elfos.

Eu caí nos amores mais detestáveis de verão, mas jamais houve verbo para encaixar-me neles. Neles. Descobri que há pássaros que se alimentam da paixão da flor, e outros que leiloariam todo mel do mundo pelo sabor da morte. Há também especialistas em sedução, os que não precisariam ser para seduzir e os violentos de violentar, outros que decepcionam os olhos e encantam os ouvidos, mas estes sempre desapareceram na próxima estação que estacionou. Houve janelas que proibiram meus olhos de escapar para fora, e houve outras que os proibiram de não fugir. As cores do verão ardiam no meu pálido cinza. No meu melancólico e violentado cinza, que não hesitava delas fazer mais e mais cinzas. Algumas penas caíram como eu. Acolhi-as como se pudesse salvá-las, mas estavam mortas. Não suportaram a solidão. Cedo demais veio o outono – a velhice dos atos –, que me permitiu uma coleção de quedas secas. Houve pássaros-passados flexíveis, os que não se adaptaram e outros contrariados. Alguns migraram para longe, muito longe. Senti não poder tê-los acompanhado. Senti pelo meu pipitar silencioso. Mas, sobretudo e por todos, senti a inveja devorando o meu Eu insuficiente. A Felicidade sempre esteve muito ocupada para ouvir-me. Tolo é quem supõe dela bondade. Auto senta-se sobre o trono de sorrisos tomados e, faz-se coroada rainha dos dependentes-mortais sobre a eterna espera destes em revivê-los algum outro verão; o verão que se torna inferno a cada mês. Eu sou órfã d’A Felicidade e como fruto contaminado, a inveja não me faz conformar-me em apodrecer como fim; você também será ponto. Este verbo, far-te-ei encaixe. 

"Se não pode contra eles, junte-se a eles."
"Faça-te antro de guerra contra seus monstros."


Infelizmente, ela ouvira a última expressão tarde demais.

O Plágio das 7 cores.


Não é um arco-íris.
Isto é apenas psicodelia.


quinta-feira, 17 de março de 2011

"Não percebi que era uma ocasião triste."

“Invente-me.” Íris-lunar, cênica, atuou para além de suas fases. Exigindo o artista sem que lhe faltasse. Os ombros nus. O corpo nu, perecendo em febre. “Lembras-te que eu somente era tela vazia sem ti?” Ele não levantou os olhos do mármore. Ela estava distante. “Restaure-me. Perdi o seu eu de mim.” Ele estremeceu, mas não levantou os olhos do mármore. O pincel gotejou. Ela continuava distante, muito distante. “Dê-me cores. Dê-me vida, por favor. Faça-me mapa, sejas-te o meu explorador. Ou faça-me estrela, sejas-te o meu louco observador. Mas faça-me, e então sejas-te.” Lamento, mas ele não ergueu os olhos. Não empresou suas mãos de tinta em sua face. Não a inventou, e, como tudo o que não foi descoberto, ela foi riscada do existir. E logo o vento, amante dos fins, sua parte fez. Confundiu-se em ondulações prateadas, e como maré e brisa, as mãos de tempo acariciaram-na por ele – manchando-a de adeus –, levando a sua amada eternizada, assim como feito aos contos inacabados, para que assim o artista não mais pudesse voltar para eles reeditando-os. Levou-a, mais uma e última vez. E aqueles olhos de artista – já fatigados de perscrutar os pores-do-sol e os horizontes –, perderam os de sua arte pela última vez. Que sua vontade seja feita: Nunca mais a veria, apenas não com aquele par de olhos. Ele Já tinha tanto medo... Que as janelas morreram. Ele já tinha tanto medo... Que os relógios envelheceram. Ele já tinha tanto medo... Que já era um pintor sem cores, um escritor sem palavras, um musicista sem melodia. Ele já tinha tanto medo, que era um artista sem ser. Mas ele já não tinha mais medo era das suas noites sem seu astro – de perdê-la –, e por não ter, viu-a partir, escapar de seus olhos relutantes; pela última vez a cada nascer do Sol.



— Tolo! Não irá tocar na Lua, a menos que sejas o Sol, ou o universo.
— Quer apostar? A Lua é vaidade, e como em toda vaidade, há pecado.
— Apostado. Por que a Lua seria vaidade? Considerando que se fosse, ela exibir-se-ia através de seu próprio brilho. Além do mais, o pecado só faz morada nos mortais!
— Ora, pois! Isso prova o quão mortal ela há de ser, além de vaidosa, ainda é invejosa!
— E por que seria?
— Porque ela tem inveja das estrelas, e usa o amor do Sol por si para vangloriar-se.
— E como sabes da sua vaidade?
— Simples! Está vendo essas águas? Ela as usa como espelho e, já ganhando a aposta, também lhe provo que posso tocá-la. — Ele nadou até o reflexo tremulante do astro e cortou-o como um desbravador de territórios, tocando os dedos finos na bandeira cristalina, conquistando sua conquista. — Viu só? E lhe digo mais: também posso beijá-la!
— E como faria isso? Afogando-se? — Ela atravessou o lago até ele, precipitando-se de socorrê-lo, caso necessário.
— Não, não. Ela é tão humana quanto a ti, assim como és tão Lua quanto a Lua! — Então ele empurrou-a para baixo do reflexo, onde o luar fez-lhe projeção e, provou do gosto do beijo nunca dado, do inalcançável alcançado. O gosto que por muito não morreria em seus lábios, mas que o levaria à morte de antemão. As guerras não hesitam em alcançar os que alcançam.