sábado, 20 de agosto de 2011

"De qualquer forma, ela não lerá..."

Caça Palavras

 Penso. Penso que talvez, Eu pense, e por isso tenha se mandado para o outro. E não posso competir com ele. Não... Eu o invejo. E me disseram que isso é tão feio. Procuro em liquidação sorrisos de pele. Pele da cor. Cores que não desbotam nas banheiras, e banheiras que não desbotam pulmões. Ele se lembra de tudo, e do futuro nem sonha que não o lembrará. Ah, e ele sonha... Ele tem pesadelos e acorda e se levanta, quase sem ânimo. Quase. Ele não esconde farmácias no fundo das gavetas. E ele encara mais os tetos do que as estrelas. Ele espera os créditos no final das cessões. E ele não é induzido a existir. Ele faz a barba, com muitas, muitas falhas. (Mas muitas não são todas!) E a lâmina é somente uma lâmina. E ele fuma, mas está prometendo parar por ela. (E torce para que esqueça e a esqueça.) Está apaixonado pela sua psicanálise. Não, pela sua ética. Não, não, ele está apaixonado pelo seu psicológico incurado, que o terminou, mas não o terminaram.

[...] Anos pálidos, balançando a cabeça, ela, sim, ela lhe contata, quase que com colírio nos olhos: "Não há nada que eu possa fazer mais pela sua causa". E como “batata quente, quente, quente” ele vai passando de consultório à clínicas, jasmim à éter, papéis de parede à cimentos, quintas à domingos, outro à ele, outro à queimou, queimou à queimou! Oras, ele é humano! E essa foi a deixa para deixar de ser. Mas é barato... É barato que o barato no passado, é que vale caro para mim lembrá-lo. E Eu sei... Mas não me lembro de muita coisa, também de muito nele. E é por isso que Eu tenha se ido para mim. Não me lembro... Eu não me lembro de como me ser. Mas no outro de outra das mesmas estranhas entranhas, decorei o telefone da última indicação. Ela não me cobrou a promessa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário