HÁ GRITOS ABAFADOS POR APLAUSOS
HÁ SANGUE POR DETRÁS DE UM BELO TRUQUE
Ampulheta concluída. O tempo acabou. Há um mar em ressaca de sangue esperando-nos por detrás dessa catedral adormecida. Trouxe comigo uma amostra de sua fúria em minhas mãos; um revólver experiente, envenenado por minhas preces possessas. Caminho por um manto de breu que encobre minha sombra. Não há pulso em mim. Labaredas de velas tremulam como meus joelhos medrosos. Eu vou soprando-as conforme marcho, perpetuando a escuridão. Não suporto os orbes de condeno da atmosfera. (Água purificada não lavará os meus pecados.) Vejo-te ao longe em uma embalagem de vidro adornada por flores murchas. Que sono fiel este teu, vendeu seu calor sem minha assinatura, querida Julieta? Questiono-te incessantemente, as doze badaladas então me interrompem e apontam-me evidências. Sem mais. O silêncio prevalece. Um fôlego insaciado de urgência sana minhas dúvidas. Olhos despertam aliviados. Mas amada, não deveras contemplar minha presença. Se o veneno que tomou só proporcionou-lhe batidas na porta do céu, eu coleciono um arsenal apropriado para forjar chaves que destrancarão as fechaduras do paraíso e te auxiliarão em uma invasão sem probabilidade de fuga. Meu sangue está quente. Seu oxigênio está restrito. Serei seu doce assassino. Você está sendo sepultada viva, esse é o seu auto-julgamento. Estamos separados por muito mais do que uma vidraça de um caixão refinado, mas a Lua sangrenta dessa noite testemunhará uma nova versão de uma velha história. Pois eu sou egoísta demais para permitir que você roube-se de mim. Eu vou pôr-lhe um fim que trespassa o seu alternativo, porque tu és minha única propriedade. O intermédio do meu prazer doentio. Estou afogado em uma mescla de ódio, insanidade e frustração. Como podes dormir pacificamente, quando estou respirando esse pesadelo? Seu teatro naufragou minha compreensão. Atenderei seu roteiro, porque o seu desejo é uma ordem. Só seu sangue me fará voltar à superfície. Agora será a minha vez de brindar com seus fantasmas atrás das cortinas, enquanto você engasga em seu próprio veneno. (Não poderei contemplar os aplausos de minha Julieta, mas eu me contento com a sentença de assistir sua silueta em queda.) Nada em minha peça será artificial. O roteiro é desconhecido. Atente-se, pois eu não farei lebres retornarem da cartola. Não existirão promessas, tampouco ilusões de ótica. A minha satisfação é o suficiente para o show continuar. Você será a protagonista, mas não terás o seu final feliz. Morrerás devagar, eu quero apreciar sua carne empalidecer, a respiração oscilar e o coração desacelerar. Pois o amor é renuncias, não é mesmo? O peão inesperado dará o xeque-mate. Não terei piedade de uma bala, vou desfigurá-la! Pois eu sou ciumento demais para permitir que os vermes levem de mim sua beleza. E mesmo quando em uma noite sem alma, o gatilho reservar-me uma bala e esta sussurrar convidativamente o endereço do suicídio ao meu ouvido, eu não o procurarei. Pois eu sou pobre demais para comprar o céu e morar contigo nele.
“Show de marionetes feitas de carne e osso.
O amor é as linhas que manipulam-nas.
Corte-as, bonecos humanos desgraçados!”
O rascunho de um clássico romance.
(II. Obras avulsas em gaiolas humanas.)
Escape the Fate - Not Good Enough For Truth Or Cliche.