terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Visão Acromática

“Filho, fique quietinho agora, não chore...
Mamãe irá fazer todos os seus pesadelos virarem verdade.
Mamãe irá colocar todos os medos dela em você.
Mamãe vai manter você bem debaixo da asa dela.”
(Pink Floyd – Mother)


Mamãe cantarolava. Mas eu tapei meus ouvidos e fugi. Pois a sua canção de ninar era a ceia de refeição dos meus monstros no armário.

Oh! Darling, seus sapatos estão desamarrados, embora as cordas do seu violoncelo estejam cheias de nós. Você aqueceu corações com composições frias. Já está vazio o teatro. Não há mais maxilar para deslocar. Mais uma vez você tentou colorir-se através de pincéis, telas e tintas. Mas em seu estojo de aquarela só existe tonalidades de cinza. Você já tentou apalpar seus bolsos? Outra vez flagrei-lhe tentando surrupiar o Sol. Ele caiu de bunda no chão! Talvez o seu arco-íris também tenha escorregado de um dos seus muitos cofres sem fundo. Desculpe-me pela indelicadeza, darling. Eu sei que está de mãos atadas devido as encruzilhadas e estradas que percorreu. (Não compreendo. Mamãe não lhe alertou de que se desejasse envelhecer, não era para arrumar as malas?) Mas aqui lhe ofereço de bom grado meu pão amanhecido. Eu sei, eu sei... Ele está seco como nossas esperanças. Mas, caso engasgue com as migalhas e farelos, beba da goteira. Se suas mentiras não lhe asfixiam, você engana assim como nossa platéia; A tosse; A febre; As dores; O Bicho-Papão; As mães; Os crochês; As agulhas; As guerras; As armas; Os heróis; A urgência; Os garçons; Os rins; Os estômagos; Os cérebros; As memórias; As rugas; O tempo; Tudo.

Cálculo d’O Tudo: Armas Brancas + Rosas Negras = Bruma cinza; Você. (Eu-lírico. Datilografia)

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