Esta é, uma carta de suicídio. Mas não precisa ser sua. E escrevê-la, é a mais fácil de todas as minhas mortes, formar palavras, até p’ra um principiante na morte de viver, sabe que é bem fácil desenhá-las, plagiando as do quadro negro, com pressa de anunciar o “Terminei!”, p’ra então sair correndo aos atropelos, e agarrar-se no alívio que a sensação d’um recreio proporciona. O que não é nada simples, é lê-las, (não somente por estarem rasuradas, feitas de cinzeiro ou de teste p’ra descoberta da técnica de tingimento por café). E eu não as lerei. Não as lerei p’ra não (morrer a minha vida) viver a minha morte de novo e de novo, embora eu saiba que não haverá nada de novo. Apenas o nada, de novo. Aqui jaz minha prova, corrija então meu erros, Vida! E me reprove, p’ra que então aprove como o meu desistir é resistência; de morrer por você.
Estou a decepcionar todos que ficam. Mas não por ir; por tentar ficar. Eu tentei... É poético o suicídio, minha verdade não. A verdade é que se houvesse um “ou”, eu teria aqui, uma carta de suicídio fracassada e uma armação de cordas p’ra desfazer presa ao teto mudo, antes que alguém violentasse a porta e gritasse desnecessariamente. Não seria tarde, como quando você estiver desobedecendo o meu conselho na véspera, a menos que eu o tenha rasurado. E não pretendo deixar outro; o doutor me alertou com doses de comprimidos, receitas e raios-X, mesmo assim eu não desisti, embora você, possa talvez jurar que eu o tenha, e mesmo assim; fui longe demais... Minha vaidade ainda é mais impotente que meu reflexo; minha indolência também. Mas eu tentei não tentar. Decorei auto-ajudas, drogas legalizadas, mesmo quando sendo a pior de todas elas.
A inspiração de qualquer tragédia pegajosa acabou. E agora, é que o agora me intervém: “E agora?” [...] “É agora.” É agora que acabou o verbo no futuro, e até mesmo dum presente, (mas não o agora). É agora que a folha, que até ontem amanhecida era sem graça, acaba-se agora superando em seu diminuto, carimbada num sofrimento ensaiado, sensacionalizado, em memória de alguém que poderia se despedir em adéquo por qualquer insuficiência de página vazia. Memória plagiada de Ninguém. Dor cinza. É agora que o agora dopa-se. “Tic-tac, tic-tac, tic. Tic. Tac.” [...] Minhas mãos estão enrugadas, como quando uma criança se demora na banheira. E se debate, por não querer sair, sem sequer desconfiar que ela estará cheia de moscas num presente (presente p’ra qualquer “bip bip bip” fadigado; prejuízo p’ra o comércio de cigarros e entorpecentes), por confiar em si. (E então, não poderia deixá-la mesmo que quisesse. E agora?) Sobretudo; eu tentei. Me espremi na vida, como as palavras aqui. Infelizmente, não coube o pouquinho do nada em tudo. E estou com pressa de terminar mal, quando eu deveria prostituir palavras p’ra lhe convencer a abrir o zíper da sua adoração; por um bezerro de ouro morto. Isso me cai bem, mas não quando sua oração de mim, não será por me salvar, isso... E nem devesse... Se deveria parar por aqui, deveria. Mas se parado ainda ficar devendo, rarefaça o esquecido que me já esqueci há muito: A culpa, mesmo azul, posta em paradoxal a arranhões dolosos e cúmplice de um pulo embalado pelo impulso, que torna sem pulso; mesmo tarde, ou tarde demais, ou indiscutivelmente tarde demais, ainda é muito cedo p’ra não mais ser minha.
[...]
“Por baixo, agora ela está alta. Tão alta...
E o doutor de alta.”

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