quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A Psicografia & O Psicógrafo.



Meu querido,

 Eu venho tendo posse da nossa eternidade prometida, e logo digo que sou menos imortal por isso. Por onde andas, meu amado? O meu Sol nascerá no Oeste? ‘Tão boas notícias suas são, já que minhas nunca chegam? Até mesmo quando dúvidas parecem não ter fim, se terminam em pontos tortos. Ou seriam barrigudos? Ou lamparinas de idéias? Veja só, e o quanto não vejo! Tenho tempo de sobra para imaginar como bem prefiro minha dor! Embora isto nunca a faça faltar... Caracterizei-me de ocasião especial, até que os horizontes batam enfim, a porta amanhecida aberta. (A campainha de modo algum traz companhia, mas as levam.) À espera de ti, enfeito-me dentro de estréias do meu eu seu predileto. Do meu melhor nos armários, que começaram a se tornar sufocantes. E você acreditaria se eu lhe cochichasse que, da janela, o nosso abençoado carteiro me confunde com quadros de outros séculos, enquanto eu descubro das cortinas que um mês a cada dois, ele enseba os cabelos de gel para ser fotografia? Ele possui um nome, e não sai de cena como que achávamos após descer nossa estradinha de terra e deixar-lhe salvo em varanda, carimbado de cera, selos e envelopes-creme, para ouvir-se em meu tom e inovar-me de velhas preces. O carteiro faz bico em cada história, mas a sua é tão “de: eles” “para: outros”...
 É que tive a indiferença dos ponteiros para apontar-me que quando você é um entregador de cartas, nenhuma se pode abrir. E que, quando você tem muito tempo para viver, meu bem, acaba sendo um fantasma a assombrar a graça do pouco de alguém. Tu me prometeras o Sol praiano, o sal dos sete oceanos; mas em nosso mundo seguro das guerras, protegida nele por sete chaves e de ti, vislumbro-me em uma gaveta a sete palmos de carta alguma alcançar, sem que desmanche-se nas lágrimas do mar. Sua pequenina pérola, tu protegeste da proteção. E o espaço que ficaste entre estratégias e planos, o vazio dela pontuou, corrigiu. E mesmo em nossa sobrevivente linha pontilhada, feita a giz, “Sim, Senhor!” ainda quer dizer para nós, que o ímpar “sobreviver” não diz “sobre viver”.

De sua amada, para o todo pouco do sempre.

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