sexta-feira, 4 de março de 2011

Lepidópteros; Manual de instruções.

Já somos artistas. Já somos intérpretes diplomados. Vestimo-nos com a pior máscara pelo prazer de impressionar. Destacamo-nos por atos julgados como desprezíveis. Esse é o nosso palco onde recusamos aplausos. Admirados ou tolerados, estamos sendo avaliados. Eu fui reprovada e é assim que você deve agir, meu amigo. Borre seu rosto com as tonalidades mais fortes da aquarela. Olhos vermelhos, contornados pela maquiagem natural da insônia. Compre vinhos baratos e banhe seu corpo no aroma. Venda sua dignidade por dinheiro. Acenda o filtro do seu cigarro Marlboro e trague até o ar tornar-se plástico. Mate sua alma. Corroa seus sentimentos, mas saiba interpretá-los quando as cortinas carmim abrirem-se. Vá para cadeia ao menos uma vez. Pouse nas avenidas quando o céu chorar. Conquiste o nojo de um exército. Manche suas mãos de sangue. Destrua os sonhos de muitos. Tema o Sol e venere os becos escuros. Faça dos palavrões seu idioma. Trinque os espelhos. Rasgue as roupas que escondem seus braços tatuados por cicatrizes. Fuja de casa pela madrugada e compre uma lápide no cemitério para dormir até as trombetas ressoarem ao seu ouvido. Suicide-se antes que as rugas destruam sua máscara convidativa. Morra jovem e perpetue-se, porque somos apenas mariposas entre borboletas.

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