sexta-feira, 4 de março de 2011

Cara estrela diurna,

Ou como queira, caro Sol, a princípio fico satisfeita que O Vento não tenha extraviado minha proposta dentre suas valsas, ou deixado esta carta de suma importância com O Tempo propositalmente, já que em matéria de reflexão, é provável que vocês não se dão bem, e isto já é uma oportunidade de conciliação subentendida, se é que me compreendes. Mas estou ainda mais satisfeita por ti não ter derretido esta proposta em letras choramingonas, pois no mundo dos mortais ainda não inventaram um método de comunicar-se com os astros em envelopes de astros.

Caro Sol, herói dos mortais, peço-lhe em teu nome que renuncie seu cargo e acorde jamais. Se recusas, serás inevitavelmente meu cúmplice e traidor. Já pela manhã serás os olhos e o locutor do horror: a áurea de um monstro, o servo ao meu favor. Iluminarás uma pilha de cadáveres, para os amantes de seu calor. 

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